Ana Medeira – Realização, operação de câmara e edição

Ana Medeira – Realização, operação de câmara e edição

Esta curta metragem performativa multidisciplinar, trabalha os conceitos de conexão e desconexão com o todo, com a natureza, com o nosso lado mais divino e como seres humanos.

Em constante diálogo com o trabalho da coreógrafa Inês Mestrinho que trabalhou com os nossos pequenos bailarinos, foi criado um guião de momentos e sequências que conta uma história entre o ligar e o desligar, entre nós e a natureza.

Começamos por refletir sobre essa matriz contemplativa da natureza que tantas vezes é retratada na arte, onde convidamos o espectador a observar e emergir nas paisagens do Percurso Eco-botânico Manuel Gomes Guerreiro em Querença. Intercalados com a paisagem surgem nos primeiros segundos do vídeo, os bailarinos que em jeito de aparição vão pontualmente tomando presença.

Num determinado momento esta harmonia que parece crescer, é interrompida por uma dança de dois bailarinos que está em “reverse” e que, acompanhada pela sonoplastia do Miguel Neto, transporta o espectador para um ambiente distópico, onde as cores são fragmentadas a câmara é agitada, nervosa e dissonante.

Porque tudo é cíclico na natureza, e queremos aqui também, refletir sobre esse facto, voltamos a ter um momento de conexão e união, que surge quando o Rafael numa dança livre, nos transporta para uma cumplicidade com o corpo e com a natureza.

Passada esta fase de ligação ao todo e à natureza, é novamente retomado um período em que a confusão reina. Os bailarinos têm movimentos descoordenados, e estão em desarmonia com eles próprios e com o meio envolvente, a natureza na sua serenidade está em contraponto com os movimentos frenéticos dos bailarinos. A natureza, é aqui uma observadora serena dos seres humanos que na sua loucura mental não param e se movem sem sentido. No entanto tudo nos leva a um final feliz, na resolução da nossa pequena história, o mundo volta a ter uma alegria própria e mais integrada, elementos como a água, a terra junto aos bailarinos, são aqui protagonistas nesta fase onde voltamos à conexão com o todo e com a nossa essência, como seres humanos que fazemos parte deste planeta.

Neste processo cíclico de construção e desconstrução, nos tornamos cada vez mais fortes e decididos sobre o nosso propósito na vida.

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